*#/>belém 05.Jul

Projeções, intervenções, grafite, stencil, cinema, discussão, mixagens, debate sobre as redes sociais e as manifestações atuais, tudo isso fez parte da passagem do Festival Movimento HotSpot por Belém, marcando a presença dessa etapa do projeto no Norte do País.

As atividades tiveram início no entardecer da sexta-feira, quando os primeiros visitantes tiveram acesso à exposição dos trabalhos de criativos selecionados que ocupou todo o Galpão 03 da Estação das Docas. Foi nesse momento, também, que os talentos selecionados no Amazonas, no Pará e em Rondônia puderam se conhecer pessoalmente e bater um papo com a equipe de organização do evento. Com a proximidade do anúncio do resultado da seleção para a próxima etapa (22 de julho serão conhecidos os criativos que participarão do Tanque da Ideias), o foco principal do grupo era entender em detalhes como se daria essa escolha dos curadores. Passada a ansiedade, foi o momento de descobrirem mais os trabalhos uns dos outros.

“Foi muito bom poder conversar com outros selecionados na categoria Ideia e poder contar a eles sobre o meu projeto. Pudemos trocar sugestões, indicar potenciais parceiros, ganhar novos pontos de vista”, comentou Eliza Kunz, que apresentou a proposta do TetraKing.

Já para o selecionado Daniel Santi, de Manaus, da categoria Ilustração, o festival foi uma oportunidade para que ele pudesse observar a reação do público ante seu trabalho. “Eu já havia acionado amigos meus em Brasília e em Porto Alegre para visitarem o festival nessas capitais e sempre pedia que eles fotografassem meu trabalho exposto para eu poder acalmar a minha curiosidade”, conta. “Aqui, o mais interessante é observar e ouvir o que o público comenta a respeito do meu trabalho. Às vezes, tenho até vontade de corrigir uma impressão, outras me deixam muito surpreso. Essa possibilidade de ter meu trabalho circulando com o MHS é incrível”.

O Festival recebeu a visita do diretor superintendente do Sebrae,  Wilson Schubert, que deu boas vindas aos candidatos e também ao grupo que participou de uma discussão sobre a cena criativa do Pará. Foram ricas as contribuições de empresários e criativos trazendo pontos de vista sobre a estética, a música, as oportunidades e o consumo de conteúdos na região. Na mesma noite, a artista urbana Drika Chagas realizou uma oficina de stencil e o curador da categoria Ideia, Caio Tulio Costa, usou de sua vasta experiência em comunicação e pesquisas em novas mídias para puxar uma discussão sobre a força das redes sociais hoje e sua relação com as manifestações sociais que se organizam e se potencializam com uso dessas ferramentas “O poder de manipulação da grande mídia já não existe mais. Ainda não percebemos por completo a grandeza disso. Só perceberemos a real dimensão das transformações que estamos vivendo hoje daqui a algum tempo, mas temos que ter sensibilidade para notar o que mudou.” comentava durante a conversa.

O line-up musical da sexta-feira ficou por conta do “Projeto Charmoso” que se apresentou antes da convidada Luê. O público animado conseguiu prolongar os shows das duas bandas em calorosos pedidos de bis e os olhares ficaram permanentemente divididos entre a performance no palco e intrigantes rostos gigantes que surgiam iluminados nas copas das árvores ao redor do palco, que pareciam observar a plateia. Eram as projeções da artista Roberta Carvalho, mostrando seu projeto Symbiosis.

Tanto os shows como as conversas foram transmitidas ao vivo graças a parceria do Festival com o Fora do Eixo e contou com o apoio da NET Belém fornecendo toda a banda larga para as transmissões.

Na manhã de sábado, enquanto ocorriam as avaliações da categoria Ideia, o Festival invadiu o mercado Ver-o-Peso com um cortejo nada comum. Tratava-se do Grupo Periféricos que encarnou uma trupe de teatro mambembe levando personagens ora sombrios, ora coloridos, todos satíricos, para interagir com os mercantes e visitantes da feira. As reações, que foram de ataques ao absoluto envolvimento, renderam muitas imagens e risos durante quase duas horas de performances.

No segundo dia do festival, as Docas abrigaram conversas para quem estava interessado em conhecer casos bem sucedidos de financiamentos alternativos para realização de projetos musicais e culturais numa conversa mediada por Caio Mota, do Fora do Eixo. Foi possível descobrir mais sobre a produção de artistas plásticas no Pará, na Roda de Conversa liderada pela artista Isabela do Lago e houve quem preferiu o cinema e assistiu ao documentário “Até Oxalá vai a Guerra” com Nangetu.

O programa que começou cedo só terminou a meia noite do domingo. Às 19h, começaram os shows à beira rio no Alfiteatro São Pedro Nolasco, com apresentações do Grupo Quaderna mostrando o projeto Pregões: Melodia das Ruas, seguido da banda Strobo. Às 21h, foi a vez dos fãs da Gangue do Eletro assumirem a pista dançando o treme paraense. O término da noite seguiu performático com show do DJ Jaloo. Mostrando sua música autoral pela primeira vez em sua terra natal (hoje o DJ vive e toca em São Paulo), Jaloo levou ao palco uma dupla de bailarinos que impressionavam com movimentos de body contact. Detalhe: o DJ vestia um look do jovem designer paraense, Marco Normando, selecionado na categoria moda. Mais uma vez, o Movimento HotSpot inspirando novas conexões e parcerias.

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