Ao entrar em uma sala escura, o visitante se depara com o índio Ymá Nhandehetama discorrendo, em português, sobre a condição indígena hoje no País. Já na escolha da língua, pode se notar a intenção de desbravar a arte daquela região na exposição “Amazônia, ciclos de modernidade”, que ocupa dez salas do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), do Rio de Janeiro.
Com cerca de 300 obras ocupando todo o primeiro andar, além da rotunda, no térreo, a mostra percorre um leque extenso do que já foi produzido nas artes plásticas tendo a Amazônia como tema: do século XVIII aos dias de hoje, passando por Iluminismo, Ciclo da Borracha e Modernismo, com salas dedicadas a cada período.
São mil metros quadrados preenchidos por fotografias, pinturas, desenhos, esculturas, objetos e vídeos de artistas que, se não são da Amazônia, relacionam-se de algum modo com a região. A arte contemporânea, porém, não está limitada a um espaço exclusivo. Toda a exposição é permeada por ela, com trabalhos de nomes como Cildo Meireles, Adriana Varejão, Emanuel Nassar, Claudia Andujar e Miguel Rio Branco. .
O curador da mostra Paulo Herkenhoff contou em entrevista para o jornal O Globo que esta é a exposição que sempre quis fazer na vida e além das boas –vindas do índio, há o vídeo de Rodrigo Braga, artista nascido em Manaus, intitulado “Mentira repetida”, é uma reiteração do grito primal que deve causar ainda mais estranhamento ao público.
A partir daí, se segue por um passeio pelo período da catequese e da antropofagia, em que o sermão do Padre Antonio Vieira para os jesuítas antes de adentrarem a selva está escrito em uma das paredes. O Iluminismo ganha destaque em uma das maiores salas da mostra. É lá que cerca de cem obras do acervo da Fundação Biblioteca Nacional estão expostas. São mapas raros, desenhos originais de Alexandre Rodrigues Ferreira e Antonio Landi, além de obras contemporâneas.
No espaço do segundo cofre, estão reunidas várias gerações de fotógrafos como Pierre Verger e Marcel Gautherot, Felipe Augusto Fidanza e contemporâneos como Luiz Braga, Elza Lima e Walda Marques.
A questões científicas, industriais, do colonialismo, do neocolonialismo, da escravidão e dos seringais são abordados na sala do Ciclo da Borracha.
Já a sala reservada para o Museu Paraense Emilio Goeldi mostra a transição para uma Amazônia mais moderna que pode ser vista na fase seguinte. O Modernismo da região se dá através das obras de artistas como Anita Malfatti, Vicente do Rego Monteiro, Giussepe Righini, Teodoro Braga, Raul Bopp, entre outros. É na sala dedicada ao movimento que a obra “Batizado de Macunaíma”, de Tarsila do Amaral, raramente presente em mostras, está exposta.
A visita é encerrada na sala da contemporaneidade onde se percebe o caleidoscópio complexo das preocupações com a Amazônia no mundo atual. Neste momento extremo de conclusão, o convite é sempre para pensar.
SERVIÇO
Centro Cultural Banco do Brasil – Rio de Janeiro
Rua Primeira de Março, 66
De terça-feira a domingo, de 9h às 21h
Entrada Gratuita
Até 22 de julho de 2012


