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Uma mesa, uma cadeira e um projeto

Uma mesa, uma cadeira e uma ideia. Com esses três elementos e a junção de um líder, um grupo pequeno e selecionado de profissionais talentosos e um projeto será feita a etapa Tanque de Ideias do Movimento HotSpot.

A Mesa&Cadeira vai coordenar, junto com curadores convidados, a semana de imersão dos finalistas ao grande prêmio cujo resultado sairá no dia 31 de outubro. A ideia é que eles ponham a mão na massa e trabalhem em equipe para chegar à um projeto final.

A fundadora Bárbara Soalheiro conta que já foram feitas oito atividades como esta sempre muito inspiradoras para quem participa. Abaixo, ela conta um pouco mais como funciona Mesa&Cadeira.

MHS: Como surgiu a ideia da Mesa&Cadeira? É original ou seguiram algum modelo de fora?

Bárbara Soalheiro: A Mesa&Cadeira nasceu da certeza de que o melhor jeito de aprender alguma coisa é trabalhando diretamente nela. Então, criamos esse processo em que você aprende não escutando um cara falar de exemplos perfeitos ou de situações hipotéticas, mas sim trabalhando com ele. Vendo de verdade onde ele emprega mais ou menos energia. Como ele resolve problemas inesperados e coisas do tipo. Eu sou apaixonada por trabalhar. Acho das coisas mais legais do mundo. E comecei a pensar: e se fosse possível trabalhar só com um time de gente muito talentosa, de áreas bem diversas? E se esse time se juntasse pra trabalhar em um projeto realmente incrível? E se esse time fosse liderado por alguém com muita experiência e com muita vontade de testar algo novo? Por isso, usamos essa fórmula que é muito simples (e, talvez por isso mesmo, muito eficiente) O formato é totalmente original. Tanto que, este ano, fomos convidados a abrir o capítulo de educação do SXSW (uma das conferências de inovação mais importantes do mundo). Fomos lá exatamente contar como e por que dá tão certo o modelo que usamos por aqui.

MHS: Como é feita a escolha dos temas dos eventos que fizeram?

Bárbara Soalheiro: O lugar para onde a gente olha é o futuro do mercado criativo. Então, os temas das Mesas são sempre dilemas estratégicos rolando hoje no mercado criativo:
Como fazer colaboração funcionar a seu favor – e não contra você.
Como dizer muito com pouco?
Como fazer curadoria de conteúdo de um jeito realmente relevante?
Como fazer o bem, mas de um jeito realmente bem feito?
E por aí vai.
Eu sou jornalista de formação. E meu ofício sempre foi editar (já comecei a carreira como editora-assistente na Superinteressante). Então, o que eu faço na Mesa&Cadeira me parece muito com o trabalho de um editor: olhar para o mundo e entender quais são os temas mais relevantes do momento. E a partir disso achar as pessoas que estão investigando aquele tema ou testando respostas com maior excelência.

MHS: Qual tipo de público tem se interessado em participar?

Bárbara Soalheiro: Os participantes das Mesas são profissionais com muitos anos de mercado (10, 15 anos). Gente que sabe que o melhor jeito de aprender é realmente fazendo alguma coisa: testando, errando, melhorando e por aí vai. Mas nosso objetivo é sempre ter muita diversidade. Então, você vai ter gente como a diretora de redação do MdeMulher (maior portal feminino do Brasil) sentada ao lado de um dos alunos mais prodígios da computação da USP. Ou gente como o diretor de novas Mídias da Conspiração Filmes sentado ao lado de um dos designers eleitos pela Meio&Mensagem como um 30 talentos com menos de 30 anos.

MHS: Vocês tem algum retorno do que aconteceu com os grupos depois desta experiência?

Bárbara Soalheiro: Todos os participantes são unânimes ao dizer que a maior diferença entre participar de uma Mesa e de um curso tradicional é que você realmente aprende coisas práticas. Na Mesa, as pessoas não ficam anotando coisas, não tem tanto esse conhecimento pronto e anotável, sabe? Mas você vai para casa e começa a ver o impacto que a Mesa teve no seu trabalho. O Fabrício Nascimento, por exemplo (esse cara que foi o maior destaque da computação da UPS em 2012 e participou da Mesa 1) fechou a start-up que tinha e abriu uma outra depois da Mesa 1. A Cris Brisland, que trabalhava na Box1824 quando participou da Mesa 2, me chamou para almoçar um tempo depois só pra contar que tinha acabado de entregar um trabalho para um  cliente completamente baseado naquilo que fizemos juntos ao redor da Mesa.Outra coisa que é muito legal são as conexões feitas durante a Mesa. Como tomamos muito cuidado pra selecionar um grupo realmente legal, você sai com uma rede muito interessante e é bem comum você ver participantes que se conheceram na Mesa tocando projetos juntos depois disso.

MHS: Como surgiu o convite para fazer o Tanque de Ideias ?

Bárbara Soalheiro: Recebemos um telefone do Augusto Mariotti, um dos organizadores e contou o que tinham em termos de tempo e estrutura e foi uma casamento muito perfeito. O MHS tem um grupo de curadores excelentes em suas áreas. Gente fazedora, criativa e muito talentosa. Os curadores são líderes naturais da Mesa.Daí ainda tinha um grupo de participantes multidisciplinar, selecionado cuidadosamente por todo o país. E cinco dias pra eles trabalharem juntos! É realmente um casamento perfeito, saca?

MHS: Qual a sua expectativa para esta semana com os selecionados do MHS?

Bárbara Soalheiro: Minha expectativa é a mais alta possível! Não tem como não produzirmos coisas muito legais quando a gente reúne um grupo talentoso e apaixonado, liderado por alguém tão brilhante como os líderes.

MHS: Quais os tipos de atividades serão propostas?

Bárbara Soalheiro:  Cada Mesa será formada por até 20 participantes de categorias diversas e receberá um única briefing e terá o objetivo de finalizar aquele projeto.

 MHS: Com que “espírito” o candidato selecionado deve vir para participar?

Bárbara Soalheiro:  Vontade de errar! Isso é muito importante pra Mesa. Porque só quem não tem medo de errar, se arrisca. E só quem se arrisca produz coisas realmente relevantes e originais. E tem que estar na pilha de trabalhar duro!

 MHS: Já dá para adiantar alguma dica?

Bárbara Soalheiro:  Como diria Anthony Burrill, o artista gráfico inglês que liderou a Mesa 2: trabalhar duro e ser legal com as pessoas. Esse é o segredo para tudo na vida!

MHS:  Quais mecanismos se pode acionar a criatividade em termos gerais?

Bárbara Soalheiro:  Eu acredito muito em fazer: ir testando mesmo. Acho que é daí que as soluções novas e criativas aparecem.

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