Unir ciência e grafitti dá certo?

O que tem embaixo do mar já é difícil fotografar, imagina desenhar. Mas é esse desafio que o candidato Pas Schaefer se propôs a fazer em dois projetos inscritos no Movimento HotSpot. Na categoria de ilustração, ele quer mostrar seu trabalho unindo grafitti e ciências em uma exposição chamada  “Vida e Morte Subquática” e na categoria Ideias, o “Infografitti“, quer usar os muros de bairros da cidade de São Paulo como lousas para pintar murais informativos de caráter científico.

Schaefer estudou ciências naturais na USP e há dois anos, quando finalizou a graduação, começou a estudar e se aprofundar em vida selvagem. “Comecei a pintar no segundo ano da faculdade. Curiosamente, não sou um dos casos de artistas que foram crianças fissuradas em desenho. Pelo contrário…Passava todas as lições de casa para minha irmã que adorava colorir”, relata o artista. “Em uma das aulas sobre Didática, fiquei pensando em estratégias mais interessantes de criar aulas para crianças sem precisar falar demais ou escrever…veio, então, o desenho. Alguns anos depois vejo essa ideia tomar uma forma mais sólida e democrática com a concretização do Infografitti”

Ele já iniciou essa experiência com crianças em aulas de arte e de ciência que ministrou na Fundação Casa, em São Paulo. Para o projeto inscrito no MHS, quer se aprofundar e treinar alunos e professores para se tornarem monitores de arte e os grafittis virarem complemento das aulas escolares.

Já a série “Vida e Morte Subaquatica” teve uma avant-premiére com uma exposição de 13 peças no ateliê do artista e agora, ele quer ampliar esse material já que tem muitas ideias guardadas. Suas fontes de inspiração vão desde de bichinhos de madeira, de plástico, de latex, fotos, videos até uma coleção da revista National Geographic. Sua rotina consiste em pedalar até o ateliê. Na pedalada, já vai criando imagens. Quando, chega deixa fluir as inspirações.

“O espaço onde trabalho é fantastico e favorece muito a fluidez de ideias”, conta Schaefer. “Sempre anoto as ideias nos moleskines e papéis aleatórios, uso essas referências para criar o conceito da obra. Depois disso, geralmente, passo pelo fogo com o questionamento dessas obras juntamente o pessoal do ateliê.

Daí deixo rolar quando a imagem aparece na minha cabeça. É um processo divertido e sofrível. Muito trabalho e erros saborosos”.

Aliás, foi o excesso de trabalho e o costume brasileiro de deixar tudo para a última hora que fez Schaefer ser um dos últimos participantes a se inscreverem no nosso portal. Além disso, havia o receio de que pudesse copiar a sua ideia: “Achei muito interessante a proposta do MHS. A priori, fiquei com receio de expor a ideia. Porém, depois de muito discutir com minha mulher, definimos publicar, pois se a pessoa estivesse disposta a copiá-la teria um gigantesco esforço e todos sairiam ganhando”.

 

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