Paper Voices

Por Jhonatas Silva, São Paulo

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por Jhonatas Silva

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Paper Voices é uma série de auto-retratos que representa a linguagem em sua expressão hiper-real, onde o papel e a escrita passam a interferir no ambiente e nos sentidos de forma física e literal. Tudo foi criado a partir de uma atmosfera surreal, usando centenas de jornais, para materializar da melhor forma a essência do meio. Logo, o que começou com noticias e manchetes chegou a crítica social, desenvolvendo um diálogo interessante sobre comunicação, sociedade, liberdade e cotidiano.

Todas as imagens fazem parte da série Paper Voices. A Imagem 1 brinca com a expressão brainstorm, em “Newstorm”, onde a ideia é mostrar o que seria um verdadeiro banho de notícias. A Imagem 2, intitulada “Free”, estabelece um diálogo entre anseio e notícia, onde o personagem na imagem é o reflexo da sede de realizar os sonhos que habita dentro de cada leitor quando lê um grande feito nos jornais. A imagem 3 chamada “Divina Fé”, coloca em pauta o paradoxo fatos e crenças, contrastando com a histórica relação entre a notícia e a religião e seu tênue limite entre fé e realidade. A imagem 4 recebeu o nome de “A Manchete Vermelha”, a intenção é causar um momento de reflexão a respeito de como acabamos vivendo em meio a violência e a morte, fazendo menção àquela parte da mídia que vive do puro sensacionalismo da miséria alheia. A imagem 5, chamada “O Fim”, fala da fragilidade humana em meio a tantas palavras e fatos, onde o homem se torna pequeno diante de suas próprias manchetes.

Porque ele é único tanto em sua forma como em seu conteúdo. Já houve trabalhos artísticos com estruturas em jornais, assim como projetos sobre mídia, mas Paper Voices une os dois em uma combinação particular, discutindo o assunto em inúmeras situações, algumas de forma tão inusitadas que se confundem com um sonho, sem deixar de lado a força das palavras e conceitos. Tudo isso o torna grandioso tanto fisicamente, com suas centenas de jornais, como conceptualmente, com seus retratos e mensagens.

Eu sempre amei fotografia, mas só em 2007 passei a expressar meus sentimentos com ela. Nesse meio tempo eu criei muita coisa, mas posso dizer que Paper Voices é o que tenho mais carinho. Eu me lembro de cada dia, dos três meses que juntei jornal e das manhãs que corria para colar tudo na parede de casa com durex. Eu me sinto realizado pelo fato de ter conseguido criar imagens como sonhos em plena realidade e gostaria de agradecer aos curadores pela oportunidade de compartilhar o meu sonho.