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Vitória: 303 selecionados entre museu e casa de shows

Festivais · 18+ · atualizado
Vitória: 303 selecionados entre museu e casa de shows

O festival do Movimento HotSpot desembarcou no Espírito Santo com 303 selecionados e uma plateia que precisou se dividir entre um museu e uma casa de shows. A etapa teve como base o Museu Vale, em Vila Velha, e levou a programação musical para a casa IlhaShow, criando um percurso entre instituição e vida noturna.

Foram dois dias de cerimônia, sabatina de projetos, rodas de conversa e música. O relato abaixo reconstrói o que aconteceu e o que essa etapa revelou sobre a circulação do festival por cidades fora do eixo Rio-São Paulo.

Como o festival chegou ao Espírito Santo

A abertura oficial aconteceu na sexta-feira, com uma cerimônia pequena no museu. Estavam presentes o idealizador do movimento, Paulo Borges, a curadora da categoria Ideia, Lala Deheinzelin, o curador de Design Gráfico, Rogério Hideki, o diretor do Museu Vale, Ronaldo Barbosa, e a primeira-dama do estado, Maria Virgínia, além de cerca de trezentos convidados da vida cultural local e dos candidatos selecionados em Vitória.

Um imprevisto mudou a escala do encontro: os candidatos do Rio de Janeiro não conseguiram embarcar por problemas meteorológicos e tiveram a participação remarcada para outros festivais, incluindo o candidato de música Daniel Limaverde. A etapa capixaba, assim, ficou um pouco menor do que o previsto, mas não menos cheia.

O espaço: o museu e a casa de shows

O Museu Vale concentrou a parte de conteúdo: exposição dos selecionados, cerimônia, sabatinas e rodas de conversa. É um espaço com perfil institucional, acostumado a receber mostras, o que dá outro peso à apresentação de projetos de jovens criativos.

A noite, porém, não caberia ali. A programação musical foi para a casa IlhaShow, que recebeu cerca de mil e quinhentas pessoas para ouvir a banda O Sol na Garganta do Futuro e o cantor capixaba SILVA, apontado como uma das revelações da música brasileira. O show passou de uma hora e meia, e o público acompanhou até o fim.

Programa: cerimônia, sabatina e rodas

Abertura e primeira noite

Depois da pré-estreia no museu, a sexta terminou com música na casa de shows. A divisão entre os dois lugares funcionou como convite: quem viu a exposição seguiu para o show, e quem chegou para a música passou antes pela mostra.

Sábado de trabalho

O sábado começou com a avaliação de dois candidatos da categoria Ideia, João Fernando Costa Júnior e Argus Caruso Saturnino. Eles foram sabatinados por Paulo Borges, Lala Deheinzelin, Izolina Passos, do Sebrae, e Samya Lievore, produtora cultural de Vitória indicada pelo coletivo Fora do Eixo.

Os projetos eram bem diferentes. João Fernando trabalhava com customização de camisetas, enquanto Argus desenvolvia um veículo que mistura bicicleta e vela, para aproveitar a força do vento e também andar dentro da água. A banca ouviu os dois no mesmo formato, o que evidencia como a categoria aceita caminhos técnicos distintos.

Economia criativa em pauta

As rodas de conversa começaram com os bastidores do programa Tardes Infinitas, dedicado à nova MPB na Rádio Universitária. À tarde, o criador do São Paulo Fashion Week e a especialista em economia criativa discutiram o tema, e Rogério Hideki contou sua trajetória em marcas como Zoomp e Zapping.

Curadoria: do produto ao processo

Paulo Borges defendeu que a economia criativa é mais processo do que produto: quando o objeto se materializa e entra na economia real, começa a envelhecer, e é o ato de criação que renova os desejos. A formulação desloca o valor do resultado para a capacidade de continuar produzindo.

Lala Deheinzelin completou o argumento: o momento não é de competição, mas de colaboração, e isso exige mudar as lentes com que se olha o próprio trabalho. Hideki trouxe a dimensão da prática: falou do Estúdio Árvore, que assina programação visual e cenografia dos festivais do movimento, e da passagem por marcas de moda.

Juntas, as três falas descrevem uma curadoria que não separa estética de gestão. O projeto precisa ter forma, mas também precisa saber como continuar existindo depois do evento.

Público e números

Os dados divulgados resumem a escala da etapa.

FrenteO que ficou registrado
Base do festivalMuseu Vale, em Vila Velha
Selecionados303 criativos de todo o país
AberturaCerca de trezentos convidados da vida cultural local
ShowsCerca de mil e quinhentas pessoas na casa IlhaShow
AusênciaCandidatos do Rio de Janeiro, remarcados para outras etapas

O que ficou: registro e remarcação

A etapa teve uma cronista improvável. A estudante de design de moda e vestuário Carolina Cardoso, que trabalha com figurino e cenografia e colabora com uma coluna e um blog de moda locais, registrou e divulgou todas as atividades do festival pelas redes sociais. O registro do evento acabou nas mãos de quem estava aprendendo o ofício.

Ficou também a pendência dos candidatos cariocas, cuja participação foi transferida para outras etapas. Em um circuito que depende de deslocamento, o clima entra na produção como variável real.

Como ler etapas de festival fora do eixo

Cidades médias recebem esses eventos de um jeito específico: com menos oferta cultural simultânea, o festival ocupa um vácuo e vira acontecimento. Vale observar como isso se traduz em público e em rede.

  • Que instituições locais sediam a programação e o que ganham com isso.
  • Se a curadoria inclui produtores e coletivos da própria cidade.
  • Como a cena musical local aparece na grade, e não só no palco principal.
  • Se o evento deixa alguma estrutura de continuidade.

No caso capixaba, a resposta passa pela presença de uma produtora indicada por um coletivo local na banca, pela banda e pelo cantor da casa no palco e pela conversa sobre cidades criativas e moda autoral ocupando o mesmo espaço da mostra. O festival passa, mas deixa um mapa de quem estava fazendo.

Leia com contexto. Todo conteúdo deste site é informativo e geral. Quando um dado varia conforme o projeto, a instituição ou o prazo, indicamos onde confirmar. Nada aqui substitui leitura de edital, contrato ou consultoria especializada.

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